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O Jovem Empreendedor Brasileiro

30 de junho de 2017
O Jovem Empreendedor Brasileiro

A CONAJE tenta traçar o perfil do Jovem Empreendedor Brasileiro por meio de pesquisa elaborada. Para o sucesso da pesquisa, tivemos o apoio de toda a nossa rede, em especial do empenho e participação dos nossos associados em nos ajudar a conseguir obter a participação das pessoas.

Nosso intuito com essa pesquisa é conhecer o perfil do jovem empreendedor e buscar cada vez mais com base nos resultados que a pesquisa nos apresenta, desenvolver projetos e ações para se aproximar ainda mais desses jovens. Nossa pesquisa tem sido referência para muitas reportagens, estudos e publicações. Estivemos com parte dos resultados dela em uma matéria com 07 páginas na Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da edição de março de 2016. Isso com certeza não somente é uma grande conquista para a nossa entidade, como um reconhecimento da qualidade, seriedade e importância do trabalho realizado por nós. Nesse sentido, enviamos para conhecimento, compartilhamento, divulgação e leitura por parte de vocês, do relatório final da pesquisa.

A Pesquisa “Perfil do Jovem Empreendedor Brasileiro” é um estudo que apresenta o Raio X deste segmento no Brasil a cada dois anos, considerando seu perfil socioeconômico: idade, gênero, renda, escolaridade e também o perfil de suas empresas: segmento, porte, faturamento, número de funcionários, investimento e maturação. Além disso, abrange os aspectos do ambiente empreendedor e político-econômico do país e seus efeitos nas empresas dos jovens, que também apontam seus principais desafios internos (quanto à gestão) e externos (quanto ao cenário).

Entre os jovens que já empreendem, a faixa etária mais ativa está entre 26 e 30 anos de idade, com 35% dos entrevistados na pesquisa. Já entre os jovens que desejam se tornar empreendedores a faixa etária está entre 21 e 25 anos. Isto sugere que existe um tempo de maturação entre ter a ideia e a vontade de empreender, e também a consequente aplicação. O sexo masculino predomina na atividade empreendedora entre os jovens brasileiros, demonstrando, assim, que os homens possuem maior interesse de empreender. Os jovens empreendedores buscam cada vez mais uma cultura educativa para empreender, demonstrado pelos indicadores de ensino superior e Pós Graduação com 42% e 39%, respectivamente.

Baseado em um salário mínimo de R$ 788,00 podemos observar que a grande maioria dos jovens empreendedores (32%) possui uma renda de 6 a 10 salários mínimos, acompanhado por 3 a 5 salários e 11 a 19 salários mínimos com 22% e 21%, respectivamente. Estes dados mostram que a renda familiar ainda pode ser um impecílio para que o jovem consiga empreender. 41,4% dos jovens empreendedores relatam ter decidido ser empresário devido à identificação da oportunidade de um negócio seguido de 40,4% dos jovens que sempre tiveram a vontade de empreender. A falta de qualificação é um dos principais motivos para que o jovem não possa ou tenha insucesso em empreender. Dentre os jovens entrevistados podemos observar que 86%

relatam não ter passado por nenhum tipo de qualificação ou preparação ao longo da idade escolar, o que se torna alarmante visto que possuem diferentes programas e cursos para estimular o espírito empreendedor entre os jovens, no entanto, todos esses programas são de iniciativa privada e atuam de forma limitada quanto à escalabilidade, logo, o número de crianças que têm acesso a esse conteúdo é insuficiente. Podemos perceber que a grande maioria dos jovens empreendedores busca uma conectividade com o empreendedorismo através de Site/Redes sociais (62,8%), onde temos materiais de livre acesso e inserção.

PARTICIPAÇÃO EM ALGUMA ENTIDADE EMPRESARIAL JOVEM

Podemos observar um crescimento no número de adeptos aos movimentos jovens empresariais, representado por 57% da amostra entrevistada (quando comparada a pesquisa anterior – 41%). A maior parte da amostra participa de AJE’s – Associações de Jovens Empresários (51%), seguido por Movimento Jovem do Comércio (22%), demonstrando importantes nichos a serem explorados para a união e fortalecimento do movimento empresarial jovem.

MOVIMENTO JOVEM QUE PARTICIPA

Ao unir-se a entidades empresariais, o jovem busca em sua grande maioria, estabelecer redes de contatos (51%), seguido por geração de negócios e discussão de pautas inerentes ao jovem empreendedor, ambos com 17%. Esta rede de contatos demonstra-se importante para o estabelecimento de novos negócios entre os jovens. Dentre os entrevistados mediu-se também a geração de negócios entre empresas da própria Conaje (22%), ou seja, “inter-estaduais”, dos quais, a sua maioria (71%) representa um volume de até 10 mil reais. O processo de geração de negócio em rede é, portanto, gradativo entre os jovens, visto que com a deficiência brasileira no ensino básico e até mesmo no ensino superior quanto ao “como empreender”, os jovens buscam as entidades associativas para suprir essa lacuna do conhecimento do ambiente empresarial e compartilhamento de suas experiências e dificuldades num primeiro momento, para que no segundo momento, o network formado na rede se converta em negócios. Este dado demonstra, ainda, a importância de se intensificar ações de negócios entre os jovens que já estão se organizando em redes empreendedoras e assim possam fortalecer negócios entre suas empresas, aumentando o volume e fluxo entre elas.

Os jovens que empreendem possuem, em sua grande maioria, apenas uma empresa (63%) seguida por duas empresas (25%). Dentre as empresas, podemos notar que o setor de serviços (48%) e comércio (27%) são os que possuem a maior parte das empresas. Juntos correspondem a 75% das empresas do jovem empreendedor brasileiro.

EMPRESA FAMILIAR

A grande maioria dos jovens empreendedores não obtiveram investimentos para a capitalização de suas empresas (60%). Este fato pode ser explicado pela maioria das empresas ser do ramo de “serviços”, as quais geralmente necessitam de menor capital de investimento e, assim, os jovens conseguem driblar a grande barreira para empreender.

BUSCA DE APOIO PARA ABERTURA OU CRESCIMENTO DA EMPRESA

Neste contexto, analisa-se que o indicativo de “não ter buscado algum tipo de apoio” para abertura ou crescimento do negócio, ou ainda, o uso da internet com este fim por parte dos jovens, pode refletir nos problemas de gestão interna da empresa, tais como: gestão financeira (31%), gestão de pessoas (27%) e planejamento (25%), apontados como principais dificuldades em sua gestão. Estes fatores podem ser minimizados através do estabelecimento de uma cultura e educação empreendedora, o que fará com que atinjam maior sucesso no empreendedorismo.

A pesquisa apontou, portanto, o seguinte:

A maior parte deles possui nível superior, sendo que as mulheres buscam atingir a pós graduação antes de empreender. A pesquisa permitiu concluir que a principal faixa etária em que o jovem empreende compreende dos 26 aos 30 anos de idade. As principais dificuldades enfrentadas são a burocracia, a falta de capacitação, a concorrência e a dificuldade no acesso ao crédito, apesar de muitos atingirem financiamentos bancários para crescer. A busca pela melhor capacitação e preparação do jovem, decorrente da lacuna deixada pelo ensino formal no incentivo ao empreendedorismo, está baseada na participação em entidades empresariais jovens como estratégia adotada por eles para expansão de rede de contatos e busca de novos nichos de atuação para empreender. Hoje, a grande maioria dos jovens está buscando acesso a informações de cultura empreendedora através da internet, o que demonstra ser uma importante ferramenta de atuação das entidades jovens e de escolas de formação.

O sentimento de um cenário político e econômico desfavorável demonstra a importância de políticas públicas voltadas para o entendimento do empreendedorismo desde a base educacional, diminuindo as dificuldades enaltecidas pelos jovens nesta pesquisa. O incentivo à participação e regularização de empresas devem ser desburocratizadas e até desoneradas para que o jovem sinta-se mais atraído para o ambiente empreendedor, pelo menos para a primeira empresa.

Grande parte dos jovens está entre micro e pequenos empresários, empregando até 49 funcionários e com um faturamento de até 360 mil reais. Este nicho representa a importância da melhora no cenário político e econômico visto que os jovens buscam crescer através de uma capacidade criativa para que, assim, possam gerar mais emprego e renda ao Brasil.

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